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Engenharia

Como o Cérebro do Mentor é construído

Esta página é para quem quer olhar por dentro: o que roda onde, o que foi medido e onde o sistema ainda falha.

O Cérebro do Mentor organiza o acervo de um profissional em um grafo de conhecimento governado por uma ontologia do conselho ou regulador da área. A camada que faz essa organização — extração de entidades, ontologia, grafo e máscara de dados pessoais — roda localmente, em CPU, sem chamada a API externa. A geração de texto usa modelo de linguagem em nuvem.

O que roda no seu perímetro e o que roda na nuvem?

A ingestão de um documento passa por uma sequência de etapas locais antes de qualquer coisa sair:

documentoextração de entidades (local)consolidaçãoenriquecimentografo de conhecimento

O reconhecimento de entidades roda na própria máquina, em CPU. Não há chamada de API nessa etapa, e a inferência é determinística: rodadas repetidas sobre o mesmo texto produzem exatamente o mesmo resultado.

Isso tem uma consequência prática que costuma passar despercebida: a barreira de privacidade é local. A máscara de dados pessoais é aplicada por esses modelos antes de o texto seguir para qualquer serviço externo de geração. Explicamos o alcance e os limites disso em soberania de dados.

Por que a ontologia importa mais que o modelo?

Esta foi a medição que mais mudou a forma como construímos o produto. Montamos um corpus com gabarito escrito antes de rodar qualquer modelo, e comparamos duas alavancas: trocar o modelo de extração, ou reescrever o vocabulário da ontologia.

AlavancaEfeito na qualidadeLeitura
Trocar o modelo de extraçãoGanho pequenoAjuda, e é a alavanca em que quase todo mundo mexe primeiro
Reescrever o vocabulário da ontologiaGanho bem maiorVale muito mais — e é trabalho de domínio, não de infraestrutura
  ↳ a convenção de nome dos rótulosparte do ganhoUma fração vem só da nomenclatura
  ↳ reescrever os termos em sia maior parteO grosso é ontologia, não modelo

A conclusão orienta o produto inteiro: o diferencial não está no tamanho do modelo de linguagem, e sim na qualidade da ontologia que governa a extração. É por isso que a ontologia é organizada por conselho ou regulador, em três níveis, e não como uma lista genérica de categorias.

Por que isso é verificável. O corpus de avaliação e os scripts vivem versionados junto do código, e a avaliação roda sem consumir API. Isso significa que a medição pode ser repetida a qualquer momento, por qualquer pessoa da equipe, sem custo — o que é a razão de ela existir em vez de virar uma impressão.

Como o sistema decide sobre o que vale escrever primeiro?

Um acervo organizado como grafo permite uma pergunta que uma pasta de arquivos não permite: qual é o assunto mais central do que esta pessoa sabe, e que o conteúdo dela ainda menos cobriu?

Sobre o grafo do próprio mentor rodam algoritmos clássicos de teoria dos grafos, que medem:

A prioridade sai de uma combinação simples e explicável:

o tema mais central que o conteúdo existente ainda menos cobriu — centralidade ponderada pela lacuna de cobertura.

Descontar o que já foi dito faz o sistema evitar repetição em vez de premiá-la. E o cálculo pesado do grafo roda em job periódico, fora do tempo de resposta — durante o uso o sistema apenas lê o resultado já calculado.

O que ainda não funciona bem

A mesma medição que mostrou a força da ontologia mostrou um limite estrutural da extração, e ele é honesto declarar:

Tipo de entidadeDefinida porResultado medido
Organização, termo técnicoForma — dá para reconhecer olhando a expressãoFunciona (3 de 3 no caso medido)
Citação, causa, contraindicaçãoPapel na frase — depende da relação com o restoFalha (perto de zero no caso medido)

Uma citação só é referência porque está citada; uma contraindicação só o é pela relação com o tratamento. Hoje, relações desse tipo só são recuperadas com auxílio de modelo em nuvem. Estender a extração local a relações é frente de pesquisa aberta.

Registramos os limites porque a alternativa é pior: um sistema que não declara onde falha obriga quem usa a descobrir sozinho. A mesma disciplina vale para os números desta página — nenhum deles é estimativa; todos vêm de medição reproduzível.

O mesmo motor serve outros setores regulados?

Serve, por construção: se a ontologia é por órgão regulador, trocar o regulador troca o domínio sem trocar a máquina. É exatamente por isso que ela encaixa com precisão no seu conselho ou regulador — ela não é genérica.

Roadmap

Hoje o Cérebro atende a Saúde — o primeiro estudo de caso, em produção. Financeiro, Energia, Jurídico e Governos estão previstos no roadmap, ainda não atendidos. Preferimos dizer isso a sugerir uma cobertura que não existe.

Onde ver os números de qualidade

A engenharia desta página explica como o sistema é construído. O quanto isso muda a resposta na prática está medido em benchmark cego contra modelos generalistas — 200 perguntas dentro de um corpus curado e 75 fora, com dois juízes independentes. Os resultados e a metodologia completa estão em evidências e no whitepaper.

Não é uma IA de decisão. O Cérebro do Mentor organiza e comunica conhecimento profissional. Apoia o trabalho, mas não substitui o julgamento profissional de quem assina — a palavra final sobre qualquer peça é sempre humana.